domingo, 26 de fevereiro de 2017

Diário de Leituras.
Sou formada em Geografia e atuei alguns anos como professora. Durante minha atuação como professora pude vivenciar como as provas alteram a rotina escolar e como elas causam temor e tensão aos alunos.
Esse temor, tensão e amedrontamento causado pelas provas ocorrem porque as provas não surgem naturalmente e sim como cumprimento de calendários. Por isso resolvi me aprofundar no tema e fazer o meu artigo sobre as “temidas” provas.
A principal metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica em livros que eu possuo no meu acervo pessoal e artigos na internet com temas semelhantes. Realizei o fichamento das leituras, que seguem abaixo. Trabalhei com as anotações e apontamentos que achei relevantes e aproveitei minha vivência em sala de aula.  
Para elaboração do artigo foi fundamental trabalhar com a problematização em volta do tema, levantamento de hipóteses e objetos, tudo com base na fundamentação teórica.  
Espero que o artigo possa ser uma forma de discussão e permita que outras formas de avaliação sejam adotadas pelos professores, e que as provas possam ser utilizadas como um meio e não a finalidade principal das aulas.  
Tipo: Livro
Assunto/Tema: Educação
Referência Bibliográfica: RONCA, Paulo Afonso Caruso e TERZI, Cleide do Amaral. A prova operatória. 25 ed. São Paulo: Editora do Instituto Esplan, 1991.
Resumo: Paulo Ronca e Cleide Terzi deixam claro que o momento da prova os alunos precisam por meio dos conteúdos apropriados pensar, argumentar e contrapor, mas isso só é possível se a prova por operatória.  Uma prova operatória não se constitui em mecânicos questionários, testes ou exercícios, mas um momento a mais para o aluno viver internamente a construção ou reconstrução de conceitos ao longo do caminho da aprendizagem, um momento de aprendizagem. Para se fazer uma prova operatória é necessário dar um tratamento coloquial, descontraindo e diminuindo a tensão do momento. Esse tratamento estimula a ação da percepção, convocando-a a participar ativamente das provas, dando respostas pessoais. Os professores precisam explicar as questões, a clareza no enunciado dá segurança ao aluno para fazer a prova. A prova operatória não é nem fácil, nem difícil, é essencialmente inteligente, extremamente ligada com o ler. A intenção desse tipo de prova é orientar o aluno, deixando claro os objetivos das questões.
Parte delas podem ser apresentadas a partir de um texto a ser cuidadosamente lido e contextualizado. A contextualização faz com que os alunos deixem de lado a memorização, que deixa de ser um meio e não um fim.
As questões são formadas por palavras operatórias, como: analise, classifique, compare, critique, imagine, serie, levante hipótese, justifique, explique, interprete, suponha, reescreva, descreva, localize, opine, calcule, determine, comente, substitua, exponha, construa, relacione, sintetize e outras.
As questões precisam ter relação como conteúdo ensinado. A prova pode ser composta de três partes:
1ª Parte – Mais ampla e aberta, um tema dado que exigirá a expressividade escrita em forma de redação.
2ª Parte – É constituída da proposição de perguntas mais simples e pequenas.
3ª Parte – É constituída de problemas. A prova quer ser um momento profundo de reflexão e estudo e se compromete com o desenvolvimento global do pensamento. Tais problemas são discutidos em sala de aula ao longo da vida acadêmica e não podem ser respondidos no sentido imediato de sua utilização.
Citações: “ (...) as aulas que onde não se pensa, onde não se argumenta, não se pensa”. Página 24
“ (...) a prova passa a ser vista como um momento de reorganização dos conhecimentos, agora com outra dimensão e metas.”  Página 27
“analise, classifique, compare, critique, imagine, serie (...)” Página 38
“ (...) a prova é sempre reflexo da aula e vice- versa.” Página 49
Indicação da obra: Professores de todas as áreas, pedagogos, estudantes da área da Educação.
Local: Acervo pessoal

Tipo: Livro
Assunto/Tema: Educação
Referência Bibliográfica: WERNECH, Hamilton. Prova, Provão, Camisa de Força da Educação: uma crítica aos sistemas de avaliação crivada de humor e propostas. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.
Resumo: O autor questiona a eficiência das provas como sistema de avaliação.  O autor compara professores com alguns animais. Exemplos esses são: O professor macaco, que se compraz em  ridicularizar os alunos; o professor serpente-venenosa, cuja especialidade é elaborar armadilhas nos testes e provas; o professor carrasco, que em vez de ensinar, destrói a confiança e motivação dos alunos, quando não os exclui do processo educativo; o professor abelha é elogiado pelo trabalho dedicado e acompanhamento dos alunos, mas criticado pela mesmice e falta de criatividade nas avaliações; o professor leão é associado à fera que assusta, ruge nos corredores e salas de aulas como se estivesse ameaçando os aluno. Como modelo positivo de professor Werneck apresenta o professor joão-de-barro é um pássaro que constrói algo e sempre em sintonia com o meio ambiente e o professor castor, animal que enfrenta baixas temperaturas do inverno enquanto escolhe árvores e prepara diques é apontado pelo autor como exemplo de trabalho intenso, desafio a adversidades e harmonia com o meio ambiente.                            O autor também propõem exercício de aquisição e fixação de nova mentalidade sobre o ato de educar. Ele também apresenta sugestões de avaliação mais construtivas e eficazes, como:
·         Em vez de se considerar as respostas dos alunos, aconselha uma análise do grau de conhecimento deles por meio de perguntas feitas por eles;
·         Discussões e debates realizados em grupos;
·         Sínteses grupais e observar o rendimento em tarefas sequenciais.
Werneck não se opõe inteiramente ao uso de provas, mas defende que elas não sejam instrumentos coercitivos e sim, mecanismo de orientação para uma busca útil de conhecimento, uma forma de feedback para o professor. Defende a necessidade dos professores e as escolas reconhecerem que não têm construído cidadãos, preparado bons profissionais e nem proporcionado sabedoria para obtenção de felicidade. O modelo de ensino que temos interessam apenas aos detentores do poder, voltada para a produção de proletários resignados e maus eleitores.
Citações:
A Educação deve ser vacina, nunca veneno. A função do educador é ensinar, nunca provocar a eliminação sem sentido.” Página 27
“ Se escola boa é a que reprova, o hospital bom é o que mata.” Página 104
Indicação da obra: Professores de todas as áreas, pedagogos, estudantes da área da Educação.
Local: Acervo pessoal



Tipo: Livro
Assunto/Tema: Educação
Referência Bibliográfica: HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Educação e Realidade, 1993.
Resumo: Hoffmann fala da dificuldade de superar as práticas tradicionais, um exemplo é o fato das provas serem mantidas como classificação de ensino de qualidade. As avaliações tradicionais acabam por segregar alunos, sendo uma forma de separar os “bons” dos “ruins” por meio das notas. Uma escola de qualidade precisa perceber que todas as crianças devem ser concebidas sua realidade concreta considerando toda a pluralidade de seu jeito de viver; preocupando com o acesso de todos. O desenvolvimento do ser humano precisa ser completo e vai mais além que memorizar, notas altas, obediência e passividade, depende da aprendizagem, da compreensão, dos questionamentos, da participação. A avaliação precisa ser vista em um sentido amplo, o professor precisa observar a fala dos alunos, seus argumentos, perguntas. A ação mediadora é uma postura construtivista em educação, onde a relação dialógica, de troca discussões, provocações dos alunos, possibilita entendimento progressivo entre professor/aluno. O conhecimento dos alunos precisa ser adquirido por de suas vivências, valorizando a individualidade dos alunos e aproveitando aquilo que ele traz de seu cotidiano. Quanto ao erro, na concepção mediadora da avaliação, a correção de tarefas é um elemento positivo a se trabalhar numa continuidade de ações desenvolvidas. O momento da correção passa a existir como momento de reflexão sobre as hipóteses construídas pelo aluno, não por serem certas ou erradas, problematizando o dialogo, trocando ideias. A avaliação mediadora possibilita investigar, mediar, aproximar hipóteses aos alunos e provocá-los em seguida; perceber pontos de vistas para construir um caminho comum para o conhecimento científico aprofundamento teórico e domínio do professor. A avaliação mediadora passa por três princípios: a de investigação precoce, a de provisoriedade e o da complementaridade. A mediação se dá relacionando experiências passadas às futuras, relacionado propostas de aprendizagens a estruturas cognitivas do educando, organizando experiências, refletivo sobre o estudo, com participação ativa na solução de problemas com a apreciação de valores e diferenças individuais. O educador toma consciência do estudante no alcance de metas individuais, promovendo interações a partir da curiosidade intelectual, originalidade, criatividade, confrontações.
Citações:
“As notas e as provas funcionam como redes de segurança em termos de controle exercido pelos professores sobre os alunos, das escolas e dos pais sobre os professores, do sistema”. Página 26
“Controle parece não garantir o ensino de qualidade que viemos pretendendo, pois as estatísticas são cruéis em relação à realidade das nossas escolas.” Página 47
“As tarefas são elementos essenciais para a observação das hipóteses construídas pelos alunos ao longo do processo.” Página 71
Indicação da obra: Professores de todas as áreas, pedagogos, estudantes da área da Educação.
Local: Acervo pessoal

Tipo: Artigo
Assunto/Tema: Educação
Referência Bibliográfica: FREITAS, Luiz Carlos de. A avaliação e as reformas dos anos de 1990: novas formas de exclusão, velhas formas de subordinação. Educ. Soc. [online]. 2004, vol.25, n.86, pp.131-170
Resumo: O artigo examina como as reformas neoliberais e da pós-modernização impactaram o pensamento educacional e como foram utilizadas como instrumentos articulados de desconstrução do pensamento progressista e trazendo novamente ao campo da educação teses positivistas. Tudo isso vem camuflado com incertezas, exaltadas como diferenças e justificadas como caos, tendo como objetivo nos impedir de pensar o futuro e dar espaço para políticas capitalistas, valorizando e ajudando os donos do capital, as necessidades capitalistas do mercado de trabalho. As alterações educacionais dos anos de 1990 vieram para ajudar os donos do capital, trazendo novas formas de exclusão no sistema educacional, mas mantendo a submissão dos menos favorecidos, não trazendo uma educação que leve as pessoas a pensarem e a questionarem.  
Citações:
“A incerteza cria um campo tão aversivo que o indivíduo sente que é melhor não pensar nele e concentrar-se no agora e, com isso, abrimos mão do futuro para que ele seja planejado por outros, sem obstáculos.” Página 145
“A educação foi entendida como serviço e não mais como um direito. Vista como serviço, a escola e a universidade deixaram de ser percebidas como instituição e passaram a ser entendidas como organização.” Página 148
“(...) é preciso considerar, ainda, que a avaliação ocorre em dois planos: um formal e outro informal..” Página 158
Indicação da obra: Professores de todas as áreas, pedagogos, estudantes da área da Educação.
Local: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-73302004000100008&script=sci_abstract&tlng=pt                                              


Tipo: Artigo
Assunto/Tema: Educação
Referência Bibliográfica: AFONSO, Almerindo Janela. Questões, objetos e perspectivas em avaliação. Avaliação (Campinas) [online]. 2014, vol.19, n.2, pp.487-507.
Resumo: O artigo de Almerindo Afonso vem trazendo a problematização das avaliações no sistema educacional. Seu objeto de estudo é a educação não superior, onde Almerindo faz duras críticas de como as avaliações se tornaram o centro da vida escolar, onde os alunos são diariamente subordinados. São vários tipos de avaliação das quais os alunos e professores são sempre submetidos, como as avaliações institucionais, avaliações do desempenho profissional, avaliações de políticas educacionais. A vida escolar gira em torna das avaliações, sendo que as provas são as temidas formas de avaliação. É necessário construir uma ponte de ligação entre as diferentes formas de avaliação. 
Citações:
“(...)chamar a atenção para a necessidade de analisar criticamente a excessiva centralidade da avaliação dos alunos, à qual todas as outras avaliações parecem subordinar-se ou referenciar-se.” Página 488
“Face a esta evolução, não é de estranhar que as políticas de avaliação neoconservadoras se situem nos antípodas das teorias da avaliação epistemologicamente mais avançadas.” Página 489
Indicação da obra: Professores de todas as áreas, pedagogos, estudantes da área da Educação.

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